Tempos incertos e sem precedentes – pode o coaching ajudar?


Estamos a viver e a liderar em momentos em que nada é previsível, em que todos os pressupostos, mesmo aqueles feitos com base em muita pesquisa, dados e cautela, não fazem muito mais sentido. Alguns pressupostos são afetados diretamente; outros podem ser um pouco mais protegidos. Uma coisa é certa – esta pandemia impacta-nos a todos e continuará a fazê-lo num futuro próximo. É uma enorme tragédia humanitária e, acima de tudo, necessita ser reconhecida como tal. Para lutar e vencer, todos nós precisamos aceder ao melhor de nós mesmos. Agora.


Não há nada atraente sobre a crise. No entanto, a crise muitas vezes dá lugar a formas de olhar para as coisas de forma diferente, fazer as coisas de forma diferente, ou como Albert Einstein disse, na sua famosa frase: “As perguntas podem ser as mesmas, mas as respostas mudaram”.


Atualmente, todas as organizações, pequenas e grandes, com e sem fins lucrativos, públicas e privadas, bem estabelecidas e novas, enfrentam uma nova realidade. Elas entraram naturalmente em modo de crise – protegem os ativos, asseguram que os funcionários sejam cuidados, reveem a cadeia de abastecimentos e fazem projeções financeiras. As organizações pensam em enviar mensagens aos seus clientes e fornecedores. Estão em modo de planeamento de cenários. Isso é gestão de crises. Gestão de crise é o processo pelo qual uma organização lida com um evento perturbador e inesperado que ameaça prejudicar a organização e/ou seus stakeholders.


O futurista e “trends-hunter” canadiano Jeremy Gutsche sugere que o tempo de crise leva à época de caos. No entanto, o caos pode levar à inovação, oportunidades e reinvenção. O caos muda as regras. O caos pode fazer mudar quem nos está a liderar. É aqui que a liderança de crise entra em cena. Uma liderança eficaz em crises pode oferecer oportunidades em situações que anteriormente só mostravam desvantagens.


As organizações que lidam com sucesso com as crises podem sair delas mais fortes e com uma lealdade maior dos funcionários, clientes e a comunidade do a que existia antes da crise.


Isto coloca a seguinte questão: como podem os próprios indivíduos obter recursos para liderar, especialmente em tempos de crise?


Resiliência é algo que vem à mente. Uma comunicação clara, competência, calma, e empatia são outras capacidades que poderiam ser de grande ajuda.


É aqui que o coaching profissional pode fazer uma diferença impactante. O coaching é definido pela Internacional Coaching Federation como “uma parceria que inspira pensamentos que apoiam e desafiam o cliente a atingir todo o seu potencial profissional e pessoal”. Um coach é um parceiro de pensamento, um parceiro de prestação de contas e um catalisador que apoia o cliente a alcançar a clareza de seus objetivos e ajuda-os a traçar o caminho para alcançá-los. Um coach pode trabalhar com um indivíduo ou com a equipa e ajudá-los a passar pelos estados naturais de medo e falta de segurança, ajudando a ver oportunidades e possibilidades.


Em situações como a actual, um coach profissional também tem formação para poder reconhecer se é necessário um apoio para além de Coaching (tratamento de traumas, counseling, psicologia) e pode sugerir tais recursos/ferramentas através de referências de profissionais adequados.


Em tempos de crise, é fácil focar apenas no que está a acontecer; no aqui e agora. Com a ajuda de um coach, os líderes organizacionais podem começar a preparar-se para o “novo normal”, antecipar o que isso significa, e estar à frente no terreno para isso. Um coach pode desafiar suposições e ajudar a remapear o futuro das organizações.


Outro resultado potencial importante de crise e caos é a aprendizagem. É o único caminho para a organização poder examinar as suas ações, reconhecer a jornada à sua frente, e decidir quais os comportamentos, atitudes, crenças e ações serão importantes para avançar para o futuro. É igualmente importante determinar conscientemente o que pode e deve ser deixado para trás. O Coaching profissional certamente ajuda a apurar essa aprendizagem e a garantir que contribui com um novo olhar para a estratégia e as ações da organização no futuro.


Em tempos como este, o coaching não é um luxo, é uma obrigação. É um investimento importante que pode ajudar indivíduos, organizações e grandes sistemas, não apenas a sobreviver, e sim a prosperar.



Magdalena Nowicka Mook

0 views