Jogue com as palavras e veja-se livre do medo. Durante e depois da pandemia

No contexto da pandemia global, os coaches têm muito para oferecer aos seus clientes, ao mundo e a si próprios!


As ameaças reais e potenciais relacionadas com a pandemia podem ser assustadoras. As pessoas estão assustadas. As pessoas que protegem a nossa saúde e bem-estar estão com medo, a muitos níveis, e por razões válidas. Só isso já é assustador! Dada a situação em que vivemos, sentir medo é totalmente compreensível e normal. O vírus afetou – e mudou – a vida tal como a conhecemos. Tragicamente, acabou com a vida de alguns membros da nossa família global. O que sabemos e não sabemos sobre este novo vírus contribui para a ansiedade, pois temos de lidar com níveis de imprevisibilidade e incerteza, quer aqui e agora, quer em exercícios de antecipação do futuro.


Reconhecendo o valor do Coaching para lidar com a ansiedade, como podemos nós, os coaches, ajudar pessoas que se sentem presas, que não conseguem avançar, devido ao medo que têm do presente e do futuro?


Uma das competências centrais do processo de Coaching da ICF, “Criar consciência” envolve facilitar a descoberta de novas possibilidades. Em tempos difíceis como os que vivemos, ajudar as pessoas a lembrarem-se e alavancarem as suas forças e recursos internos com base em bem-sucedidas experiências passadas, pode ser uma abordagem poderosa.

Quando isso acontece, ajudamos o coachee a criar um “normal conhecido”, embora ainda tenha que lidar com incerteza. Quando o coachee se lembra de algo que sabe que funcionou no passado, cria-se uma nova consciencialização na compreensão de como essa experiência se pode aplicar à situação atual.


Mesmo que estratégias passadas não tenham funcionado e o coachee tenha tido sempre dificuldade em lidar com a incerteza, esta nova situação pode ser uma oportunidade para se fazer brainstorming em conjunto e assim descobrir soluções personalizadas. Essa parceria de cocriação traz um nível de suporte ao coachee que, sentindo-se apoiado, pode ajudar a diminuir a ansiedade em si.


Além disso, facilitar a consciencialização sobre experiências transferíveis e sobre comportamentos de sucessos passados pode ajudar a criar a sensação de normalidade. Facilita a normalização em períodos de incerteza e pode reduzir a ansiedade. Libertar o medo pode trazer clareza e mudanças de perspetiva, ajudando a abrir caminhos. Apenas um jogo de palavras – como o normal “conhecido” – pode aliviar a perspetiva e diminuir a ansiedade. A programação neurolinguística sabe o poder das palavras. O uso consciente da linguagem é uma boa ferramenta para facilitar a consciencialização.


Reparou, que neste artigo ainda não se fez referência ao vírus pelo seu nome atribuído?


Apenas o referimos, pelo que ele é: um vírus que criou uma pandemia global. Mesmo se o leitor tentar gerir a sua exposição à comunicação social, mesmo assim esse termo aparece diariamente com frequência. Já o ouvimos e se não tivermos motivos para o dizer, podemos não o fazer. Se tivermos que o fazer, podemos dizê-lo, apesar de tudo não deixa de ser apenas uma palavra. Mas aqui escolhe-se não o dizer!


Ajudar os clientes a tomar consciência das suas opções e do poder da escolha pode ajudá-los a recuperar a sensação de liberdade durante períodos de incerteza, em que há perdas reais ou percecionadas de poder. Exercitar o poder da escolha reduz a ansiedade e fortalece-nos. E explorar o uso (ou não) de palavras que nos cobram uma “taxa” pode ser parte integrante dessa abordagem.


Também se pode diminuir a ansiedade através da linguagem dando uma volta a uma palavra ou a um termo, reformulando-os. À medida que a pandemia se espalhou nos últimos meses, muitos clientes, amigos e colegas partilharam um sentimento de ansiedade como resultado do confinamento.


Se ouvir esse termo o faz sentir tenso, então pode escolher invertê-lo; por exemplo usando a expressão “tempo de nos libertarmos!” Como coach, essa reformulação exige alguma consciencialização, criando perguntas: o que é que este momento da vida está a libertar dentro de mim? Está a ser “libertado” para ser o quê? Como é que esse tempo de “libertação” pode ser uma prenda?


Como coaches, podemos ajudar os clientes a ajustarem-se ao “normal conhecido”, iluminando a sabedoria do passado para alavancar opções disponíveis, tal como a escolha de palavras. Essas abordagens ajudam a “libertar” o medo e, assim, potenciar que sigamos em frente. Coaches em todo o mundo têm o poder de facilitar perspetivas esclarecidas, criando uma disseminação global de consciencialização e mudanças em indivíduos e organizações. Quem sabia que isso poderia fazer parte do novo normal?




Carolyn Hamilton-Kuby, coach PCC (Tradução livre)

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